Uma das mais tradicionais cidades mineiras, Sabará tem uma história de lutas e participações no cenário nacional, contribuindo decisivamente para a formação cultural e a grandeza do Estado de Minas Gerais. Já em 1711 participava na luta contra os franceses no Rio de Janeiro. Atendendo a abaixo assinado encabeçado por Miguel Calmon Du Pin e Almeida, contribuiu na luta contra o General Madeira , o “Nero Baiense”, com envio da importância de  “dois contos e duzentos mil réis” . No ano de 1865, enviou 84 jovens voluntários para participar na luta contra o ditador  do Paraguai.

Por ocasião da Revolução Liberal, em Agosto de 1842, Sabará foi alvo de lutas contra as forças de três mil rebeldes que sitiaram a cidade sob o comando dos Coronéis Antônio Nunes Galvão, Francisco José Alvarenga e Manoel Joaquim de Lemos.

Segundo o historiador Prof. Zoroastro Vianna Passos, ”o baiano audaz muito antes do paulista, já em 1555, senão antes, na viagem de Spinosa, viera aos sertões de Sabará”. O historiado Eduardo Canabrava Ribeiro, em seu livro "Roteiro das Esmeraldas - A bandeira de Fernão Dias" relata as principais expedições pelo interior do pais como a promovida por Américo Vespúcio em  1503; a ordenada por Martim Afonso  saindo do Rio de Janeiro em 1531; a de Vasco Rodrigues de Caldas em 1561;  a de Sebastião Fernandes Tourinho em 1572 que percorreu os rios Jequitinhonha e Doce e a de Antônio Dias Cardoso em 1574 .

SABARÁ – Etim.  antigo Tabará, forma contrata de Itabaraba, itá-beraba,  a pedra reluzente, o cristal (37). Segundo Diogo de Vasconcelos (50), o topônimo, anteriormente Sabará-bu-çu, abrangia originariamente todo o País.  E acrescenta o mesmo historiador: "Os indígenas, fingindo que os rios grandes eram pais dos pequenos e seus afluentes, chamavam o rio das Velhas, que era da Barra para baixo Çuba (pai) e da Barra para cima Çubará (pai partido). Era o que vai da Itabira (at. Itabirito). Posteriormente, por abreviatura, este ficou se chamando Rio das Velhas, e aquele simplesmente Sabará". - Vila Real de N. S. da Conceição de Sabará, criada a 17-VII-1711 e mantida por prov. de 9-I-1715 (31). Sua primitiva jurisdição compreendia toda a parte do território da Capitania não abrangida pelas primitivas jurisdições da Vila do Carmo e da Vila Rica, ou seja todo o Oeste, Triângulo, Noroeste, Nordeste e Leste. A paróquia foi criada por alvará de 16-II-1724, o mesmo que criou  a de Santa Luzia, então com o nome de Bom Retiro (33).  Desmembrados os territórios que passaram a constituir os municípios de Caeté e Serro, em 1714; Pitangui; Paracatú em 1789 e Curvelo em 1831. A lei provincial  nº7 de 20-III-1835 reduziu a um só os dois distritos da Vila. Pela lei nº 50 de 8-IV-1836 foram incorporados à Paróquia da Vila o curral do Arraial Velho, desmembrado da paróquia de Raposos e o de Roça Grande, da paróquia de Santa Luzia.  Toma o  nome atribuído por lei  nº 93 de 6-III-1838, a mesma que levou a Vila à categoria de Cidade. Criada em 1823 a paróquia de N. S. da Saúde da Lagoa Santa e em 1841 as de Roças Novas e Sete Lagoas. Perde em 1846 a paróquia de Rio das Pedras e em 1847 as de Santa Luzia e Sete Lagoas.  Adquirido em 1848 a paróquia  de Taquaraçu e em 1857 o dist. de Venda Nova. Perde em 1850 a  paróquia de Taquaraçu. Elevado a paróquia em 1854 o distrito de Contagem. Criada em 1855 a paróquia  da Lapa e em 1856 a de Jequitibá. Perde em 1867 a paróquia de Jequitibá e o Distrito de Buritis (atual Andiroba); e em 1891 os de Congonhas do Sabará (atual  Nova Lima) e Santo Antônio do Rio Acima. Perde em 1893 o dist. de Belo Horizonte (ex. Curral Del Rei), designado pela Lei Adicional nº 3 para nele se construir a nova Capital do Estado.  Perde em 1901 os distrito de Santa Quitéria, Capela Nova do Betim, Contagem  e Vargem do Pantanal (atual Ibirité). Criado em 1901, por lei municipal (15)  o distrito de Pindaíbas (atual Vera Cruz),  provavelmente o mesmo que se refere a lei estadual nº 2.041 de 1-XII-1873. Perde  em 1911 o distrito de Venda Nova;  adquire no mesmo ano o de Cuiabá (atual Mestre Caetano).  Adquire em 1938 o distrito de Marzagão (atual Carvalho de Brito) e perde os de Lapa (atual Ravena e  Raposos. Readquire em 1953 o distrito de Ravena.  (TOPONÍMIA DE MINAS GERAIS - Joaquim Ribeiro Costa -2ª edição).

 

Em 1601, André de Leão não obteve sucesso  ao tentar chegar à serra do "Sabará-bossu". Ainda de acordo com o historiador, no ano de 1634  o Padre Inácio de Cerqueira saiu à procura das esmeraldas . Tivemos outras expedições como a de Marcos de Azeredo em  1646 e Agostinho Barbalho Bezerra em 1666. Segundo historiadores, Fernão Dias, custeando sua bandeira, partiu de São Paulo em 1672 ou 1674, falecendo em 1681.

  As Entradas tinham um caráter oficial, as Bandeiras já tinham um caracter mais particular.         O historiador Francisco Eduardo de Andrade, destaca que Fernão Dias, ao escolher seu roteiro pelos sertões, nada mais fez que "seguir roteiros conhecidos pelos índios" , que eram na realidade a "sustentação das expedições, transportando cargas, ensinando trilhas, e servindo como interlocutores entre bandeirantes e várias tribos ao longo do caminho" .

 Existem algumas citações de que Borba Gato, quando aqui chegou, assistiu Missa em uma pequena capela já existente. De acordo com os historiadores, o sertanista, capitão Matias Cardoso de Albuquerque, tendo atingido esta região anteriormente, foi designado líder da equipe de Vanguarda da Bandeira das Esmeraldas. O objetivo deste grupo era abrir “ caminhos e plantar roças” locais de pousada e abastecimento da Bandeira que viria logo após. Descendo a serra do Taquaril, Matias Cardoso veio ter às margens do Rio das Velhas “...aproveitando uma encosta de terra muito fértil com uma fonte de água puríssima de beber, afastada do nível das enchentes e em ponto de boa vadeagem, essa Roça Grande converteu-se em pouso obrigatório na travessia para o sertão e formou-se como povoado que, provavelmente, é o mais antigo de Minas que sobreviveu aos outros, no caminho das Bandeiras”. Roça Grande ocupou lugar de destaque na história sabarense. Denominado Arraial de Santo Antônio do Bom Retiro da Roça Grande, Teve a freguesia instituída em 1707 e elevada à categoria de Colativa em 1724, com patrimônio doado por Manoel de Borba Gato.

Salomão de Vasconcelos afirma que a Bandeira das Esmeraldas após estar no Sumidouro é que veio para Roça Grande e aqui abrimos um parênteses ressaltando a importância desta Bandeira : pela primeira vez em nossa História, num raro espírito de previsão, “ foram criadas estâncias ou postos com plantação  de roças e criação de porcos e aves para o sustento de homens da jornada. Deixava sempre um Capitão com seus soldados, além de vários negros e negras, nomes com que designavam os índios, à frente dessas feitorias. Diversas dessas feitorias transformaram-se em Arraiais e chegaram até nossos dias“.  Nesta Roça Grande, nos meses de Maio, Junho e Julho, o Governador Artur de Sá e Menezes assinou importantes atos “ em casa de morada do  tenente-general   Manuel   de  Borba  Gato”.  Neste Local,  em 1702, Borba Gato recebia a provisão de Superintendente das Minas do Rio das Velhas, tendo sido o importante Bandeirante paulista, a quem a história não confere a merecida importância, o primeiro  a encontrar o precioso metal amarelo às margens do Rio das Velhas.

Encontrado em abundância, o ouro atraiu aventureiros de toda parte. A ocupação não foi pacífica tendo gerado conflitos de toda ordem. Já nas alturas de 1681, um destes conflitos culmina no assassinato do fidalgo espanhol Dom Rodrigo de Castel Blanco, enviado da Coroa Portuguesa. Denunciado à Côrte como autor do crime, Borba Gato foragiu-se por cerca de 18 anos, vivendo  com os índios no vale do Rio Sabará e sertões, oportunidade em que veio descobrir mais ouro, não deixando de manter contato com a família em São Paulo.

Segundo historiadores, por volta de 1698, quando de seu primeiro encontro com o então Governador Arthur de Sá e Menezes, Borba Gato foi investido nas funções de Tenente-General do Mato.

Em 1702, o Arraial da Barra do Sabará, surgido próximo a Roça Grande, era considerado o mais populoso das Minas Gerais. Em 09 de Junho de 1702, um novo encontro ocorreu entre Borba Gato e Governador Arthur de Sá, tendo o bandeirante paulista recebido o perdão em troca do “Manifesto do Ouro”, sendo ainda investido nas funções de Superintendente das Minas do Rio das Velhas.  Nesta altura, o Arraial da Barra do Sabará fazia limites desde a confluência dos rios Sabará e das Velhas até as proximidades com o Arraial de Tapanhuacanga, fundado pelo paulista Bartolomeu Bueno Silva e seus parentes, onde foi erigida a Igreja de Nossa Senhora da Expectação do Parto, popularmente conhecida como Igreja de Nossa Senhora do Ó .

Investido das novas funções, Borba Gato passou a impor-se “ repartindo lavras de ouro por sortes de terras e veios d'água como mandava o Regimento, confiscava todos os comboios que vinham do sertão, boiadas, cavalos, negros. E tudo mais se apanhava tudo confiscava “. Falecendo em 1717, deixou antigo Arraial da Barra do Sabará elevado à condição de Villa Real, próspero e com grande movimento.

A Paróquia foi instituída em 1701 pelo Bispo do Rio de Janeiro, Dom Frei Francisco de São Jerônimo, tendo sido elevada à categoria de Colativa por Alvará de 1724.

A madeira necessária à construção das Igrejas, Sobrados, Casarões, Pontes, era retirada das densas florestas às margens dos rios e córregos. Nestas clareiras eram plantadas lavouras diversas. Por ocasião da grande fome de 1700/1701, Minas Gerais do Ouro Preto e Ribeirão do Carmo foram salvas por mercadores de Sabará.

A febre do ouro fazia com que as lavouras fossem abandonadas. Os aventureiros estabeleciam-se em toda parte. Na Barra do Sabará surgiu um Caquende  “... mercado de mantimentos e escravos que comerciavam com a Minas Gerais do Ouro Preto e com o Ribeirão do Carmo”. O paulista José Pompeu instalou-se com sua família fundando o  Arraial  de  Pompeu ,  onde  localiza-se  a  Igreja  de Sto. Antônio com talha  representativa da primeira fase do barro mineiro. Pedro de Morais Raposo, juntamente com seus irmãos, fundou o Arraial dos Raposo, posteriormente desmembrado em três freguesias: Santo Antônio do Rio Acima; Rio das Pedras e Congonhas do Sabará ( posteriormente Nova Lima) .

A arrematação do talho e distribuição da carne era feita por Frei Francisco de Menezes e o Sargento-Mor Francisco do Amaral Gurgel, por volta de 1707. Tal fato provocou a reação do grupo oponente aos paulistas, servindo de estopim para a luta aberta entre os baianos e portugueses contra os paulistas, com os primeiros seguindo as ordens de Manuel Nunes Viana, deflagrando a Guerra dos Emboabas. Resistindo os paulistas em Sabará, os comandos de Nunes Viana aqui vieram e, utilizando-se de índios com flechas incendiárias, atearam fogo às choças dos moradores. Em decorrência deste fato, dois locais atualmente têm denominação especial “Rua do Fogo” ( Rua Comendador Viana) e Bairro Fogo Apagou.

As lutas eram constantes. Em 1708 José Rompeu foi morto pelos Emboabas. No Ribeirão do Carmo e nas Minas Gerais do Ouro Preto sempre dominaram os paulistas e seus descendentes. No Sabará ficou o emboaba com seus costumes e suas tradições.

Em 1709, utilizando-se de madeira retirada das margens dos rios Sabará e das Velhas, foram construídas as pontes “grande” e  “pequena”, no caminho utilizado para o Arraial dos Raposo (Raposos) e Minas Gerais do Ouro Preto, passando pelo Arraial de Sant’Ana. Por volta de 1710 era construído um “caminho novo”, na encosta da montanha, ligando a fervilhante Barra do Sabará, movimentado centro de comércio de gado, escravos, cavalos e mantimentos, com o extremo do povoado. Os anseios pela organização político-social aumentavam. O trabalho de organização durou cerca de dois anos.

No dia 14 de julho de 1711, “com uma luzida escolta, chegava ao arraial da Barra do Sabará, mandando convocar os principais mora dores da região para uma junta que, efetivamente, se reuniu no dia 15 à tarde e à qual compareceram quase todos os comandantes das Ordenanças dos arraiais”. Colocados a par das exigências, os moradores foram convocados pelo governador e Capitão-General Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho para uma nova reunião marcada para o dia 17 de julho de 1711 data em que, com muita festa, foi lavrado o ato de criação da Villa Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabará, cujo inteiro teor segue transcrito. A lista dos presentes, cerca de 39, não aponta a participação de paulistas importantes e ainda residentes no arraial, à exemplo de Borba Gato.

 

“TÊRMO DE EREÇÃO DA VILA REAL DE N.SRA. DA CONCEIÇÃO DO SABARÁ”

 

Aos dezessete dias do mês de Julho, de mil setecentos e onze, neste Arraial da Barra do Sabará e casa em que se acha o Senhor Governador e Capitão-General  Antônio  de  Albuquerque  Coelho  de Carvalho, achando-se presentes em  uma  Junta  Geral,  que  o  dito Senhor ordenou para este mesmo dia, as pessoas e moradores principais do dito arraial e distrito dele, e do Rio das Velhas, lhes fazem presentes, o dito Senhor, que na forma das ordens de S.M. que Deus Guarde, tinha determinado levantar uma povoação e Vila neste dito distrito e arraial, que compreendesse  os arraiais sobreditos, por ser o sítio mais capaz e comodo para ela, e que como para esta se erigir, era conveniente e preciso, concorrerem os ditos moradores para as fábricas de igrejas e Casa da Câmara e cadeia, como era estilo e pertencia a toda as repúblicas, deviam eles ditos moradores, cada um conforme suas posses, concorrerem para o dito efeito, com aquele zelo e vontade que esperavam de tão bons vassalos do dito senhor, pois também lhes convinha tanto para seu aumento e conservação, como para que com todo sossego, pudessem melhor tratar de suas conveniências, e assim deviam nesse particular, dizer o que entendiam, sujeitando-se a viver como são obrigados. O que visto e ouvido por todos eles, uniformemente ajustaram  e concordaram que eles desejavam viver neste distrito, com Vila e forma de República, sujeitos à lei e à Justiça de S.M., que Deus Guarde, como leais vassalos, concorrerem conforme suas posses, com tudo o que fosse necessário para se levantar a Vila neste sobredito e arraial de Sabará, por ser o mais capaz e assim ajudariam para se fazer a Igreja e Casa da Câmara, não só os presentes, como também todos os mais da jurisdição, deste distrito, o que não deviam faltar fiados em que S.M., que Deus Guarde, lhes ponha, também, aquela boa forma de justiça a que desejam viver sujeitos e, da mesma sorte, esperavam, dele, Senhor Governador, que em tudo os ajudassem e protegesse e advertisse, para que com todo o acerto se igualassem  os seus procedimentos, às obrigações de vassalos. E desejavam que esta sua nova Vila se intitulasse Vila Real de Nossa Senhora da Conceição por ser padroeira de sua paróquia. E de como assim se ajustou, mandou o dito Senhor Governador, fazer aqui este termo, que todos assinaram. E eu, Manuel Pegado, Secretário deste Governo o escriví- Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho - Sebastião Pereira de Aguillar - José Correa de Miranda - Pedro Gomes Ferreira - José Borges Pinto - Frei Quaresma Franco - Domingos da Silva Cruz - Sebastião José de Seixas Borges - Lourenço Pereira de Azevedo Coutinho - Francisco Borges de Faria - Braz Rabelo Marinho - Domingos Mendes Pereira de Siqueira - José Soares de Miranda - Lucas de Andrade  Pereira - Antônio José Braz Fernandes - Francisco de Brito de Castro - Antônio Leme da Guerra - João Linhares - Antônio da Fonseca Barcelos - Braz Esteves Queiroz - Manuel Carvalho da Silva - Manuel Pereira Rodrigues - Antônio dos Santos Barros - João Rosa de Araújo - Félix de Azevedo Carneiro e Cunha - João Duarte da Costa - Floriano da Costa - Jerônimo Ribeiro da Costa - João da Fonseca Figueira - Manuel Ribeiro Meira - Francisco Alves da Veiga - Joaquim Teixeira de Lima - Simão Passos Correa - João Velo Ban ( ilegível) - Francisco de Sá Ferreira de Menezes - Antônio Pinto de Magalhães Ribeiro - Alexandre de Paiva - João de Miranda Júnior.

 

No dia 18 de Julho foi realizada a eleição dos Membros da Câmara que ficou assim constituída:

Juiz mais velho :José Quaresma Franco; Juiz mais moço: Lourenço Pereira de Azevedo Coutinho; Vereador mais velho: Antônio Pinto de Carvalho Rodrigues; Segundo Vereador: Domingos Dias da Silva Júnior; Terceiro Vereador: João Soares de Miranda; Procurador: D.Francisco Matheus Rendoa( cargo equivalente a Presidente da Câmara ) Ouvidor: Desembargador Gonçalo de Freitas Baracho.

O Termo da Vila Real compreendia Prósperos arraiais não apenas com atividades de extração do ouro mas destacando-se também na lavoura Pompéu, Lapa, Raposos, Roça Grande, Congonhas do Sabará, rio das Pedras, São Vicente, Curral del Rey, Paraopeba etc. A Comarca do Rio das Velhas foi Instituída a 06 de Abril de 1714, com sede na tradicional Vila Real, pelo Governador Dom Braz Baltazar da Silveira, que sucedeu a Antônio de Albuquerque. Sua extensão era enorme pois fazia limites com Pernambuco, Bahia, Espirito Santo, Rio de Janeiro e Goiás. A posição geográfica da sede da Comarca favoreceu a formação como um dos mais importantes centros comerciais da Capitania.

Segundo historiadores, contava a Vila Real em 1719, com “5.771 negros escravos e 127 lojas e vendas”. Dois ilustres médicos da época atuaram na Vila com expressivo destaque, nas primeiras décadas do séc. XVIII: o português Luiz Gomes Ferreira e o italiano Antônio Cialli, autor de “Relação Histórico - Médica” datada de 1749, abordando o uso das águas de Lagoa Santa.

A Vila Real do Sabará não foi apenas “o maior empório comercial de Minas Gerais no Sec. XVIII e em mais da metade do Sec.XIX. Foi o maior centro de ourivesaria no Brasil, possuindo o melhor artesanato não só de alfaias sacras, como de jóias de todo gênero”. No final do Sec. XVIII  contava o Brasil com 2 milhões e 850 mil habitantes dos quais cabiam: 650 mil a Minas Gerais, 530 mil à Bahia, 480 mil a Pernambuco, 380 mil ao rio de Janeiro, Cabendo o restante às demais. Em apenas um século, o ouro conseguiu o que as demais atividades não conseguiram em dois: atrair e fixar grandes massa de homens brancos, além de construir um capital que tornasse o Brasil capaz de desbravar e reconhecer grande parte de seu território, inclusive o estabelecimento de via interior, o caminho da Bahia para Minas. Segundo o Barão de Eschwege, a Intendência de Sabará chegou a arrecadar 487 arrobas de ouro no período de 1735 a 1751.

A 06 de Março de 1838, pela Lei Provincial nº 93, a Vila Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabará foi elevada à categoria de cidade com a denominação simplesmente de Sabará.